A necessária reconstrução do PT gaúcho

 Por Suelen Aires (*)

O PT do Rio Grande do Sul enfrenta um momento decisivo. As derrotas nas eleições municipais de 2024 e a hegemonia da direita e da extrema-direita no estado exigem mudanças profundas em nossa organização, estratégia e prática política. Não basta repetir os erros do passado ou buscar atalhos que nos afastem de nossa base histórica: a classe trabalhadora. É hora de reafirmar nosso compromisso com as lutas sociais, a democracia interna e um projeto socialista para o Brasil e o Rio Grande do Sul.  

Reorganizar o partido: democracia, base e enraizamento social  

O PT gaúcho precisa urgentemente:  


1/ Retomar o funcionamento regular das instâncias partidárias com diretórios e executivas reunindo-se periodicamente, conforme o estatuto, para debater e decidir coletivamente. A ausência de debates fortalece decisões verticalizadas e enfraquece a militância.  


2/ Priorizar o trabalho de base, com formação política permanente, plenárias regionais semestrais e campanhas de filiação. O Partido não pode existir apenas em anos eleitorais.  


3/ Fortalecer a comunicação com a sociedade e a militância, criando um plano de comunicação que envolva mandatos, movimentos sociais e a base petista, denunciando os retrocessos do governo Leite e apresentando nossas alternativas.  

Reconstruir a oposição de esquerda ao Governo Leite  

A aliança tácita com setores do PSDB e/ou Eduardo Leite é um erro estratégico.


Para derrotar o projeto neoliberal e neofascista é preciso:  


1/ Construir uma frente de oposição social e política, articulando partidos, sindicatos, movimentos populares, juventude, mulheres, negros, LGBTQIA+ e indígenas em um calendário de lutas unificado.  


2/ Combater as privatizações, a precarização dos serviços públicos e os ataques aos direitos, como a reforma tributária regressiva e a escala 6x1, mobilizando a população contra os privilégios dos ricos.  


3/ Exigir a prisão dos golpistas, sem anistia a Bolsonaro e seus aliados, incluindo essa luta à defesa da democracia e dos direitos sociais.  

Avançar na disputa hegemônica: socialismo como horizonte 

A crise global do capitalismo exige que o PT não se rebaixe à defesa de um "centro" liberal. Nosso caminho é:  


1/ Reafirmar o socialismo como projeto, combatendo a ideia de que a disputa se resume à escolha entre o extrema-direita e neoliberalismo. Precisamos de reformas estruturais (tributária, agrária, urbana) que apontem para a superação do capitalismo.  


2/ Recuperar a ligação com a classe trabalhadora, especialmente com os setores que migraram para a direita, através de lutas concretas por emprego, renda e direitos.  


3/ Fortalecer a Frente Brasil Popular no estado, com seminários temáticos e ações unificadas que disputem a consciência política da população.  

Antes de 2026: As Batalhas de 2025  

O PED de 2025 não pode ser reduzido a uma disputa por cargos ou nomes. Deve ser um espaço para:  


1/ Debater a linha política do PT/RS, com participação massiva da militância, evitando "consensos" impostos de cima.  


2/Planejar ações concretas, como a ocupação das ruas contra o desmonte do estado e a organização de comitês populares em todos os municípios.  


3/ Garantir transparência no uso do Fundo Partidário, assegurando recursos para a base e não para grupos isolados.  

A Esperança é Vermelha e Socialista  

O PT gaúcho só voltará a ser uma força hegemônica se for um partido de lutas, enraizado nos movimentos e na classe trabalhadora. Não há atalhos: ou mudamos nossa prática, ou seremos condenados à irrelevância. A esperança vermelha está na reorganização militante, na oposição intransigente ao neoliberalismo e na construção de um projeto socialista para o Rio Grande do Sul.  

Viva o PT!

Viva a classe trabalhadora! 

Viva a luta pelo socialismo!  

(*) Suelen Aires é da direção estadual da tendência petista Articulação de Esquerda

(*) Texto baseado na tese estadual "A Esperança é Vermelha" – PED 2025


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