Foto: Juliano Palinha
Na manhã desta terça-feira (21), a prefeitura de São Leopoldo mobilizou cerca de 50 funcionários em uma força-tarefa batizada de Operação Resgate, onde o "foco principal [é] promover uma abordagem humanizada às pessoas em situação de rua". No entanto, na prática, tratou-se de uma operação para remover as pessoas e seus pertences de onde estavam.
Segundo o secretário de Assistência Social, Leonardo Klauss, “ele (morador de rua) que não é da cidade vai tomar um banho, receber uma refeição e vamos mandá-lo para sua cidade, para sua famílias" (aqui ).
Publicamos, a seguir, relato do vereador Fábio Bernardo (PT), que já foi secretário de Assistência Social na cidade, e esteve acompanhando a operação em um dos locais.
"Hoje, 21 de janeiro, averiguamos a "Operação Resgate", que tratou da remoção das pessoas em situação de rua que estão alocadas entre as estações Rio dos Sinos e Unisinos. Tivemos o cuidado de ouvir essas pessoas, esses cidadãos que também devem ter seus direitos e desejos respeitados. Muitas delas não são naturais de São Leopoldo, mas escolheram a cidade para viver.
De acordo com o secretário de Direitos Humanos, Leonardo Klauss, essas pessoas seriam enviadas às suas cidades de origem, após um banho e alimentação. Mas fica a pergunta: como isso irá tirar essas pessoas das ruas? Da margem da sociedade? Que governo humanizado e inclusivo é esse que busca "se livrar" daquilo que enxerga como um problema mando-os embora?
Isso não é inclusão. É conhecido por "higienismo urbano", uma forma cruel e desumanizante de de marginalizar ainda mais uma população que é tão fragilizada e precisa de cuidados, recursos e acessos" (aqui ).
Já o ex-prefeito, Ary Vanazzi, acrescentou, na mesma publicação, que "nós fazíamos estas operações, mas aplicávamos uma política séria e responsável cuidando da vida e só bem estar social das pessoas. Tínhamos aluguel social, famílias acolhedoras, que recebiam um valor ficar com seus familiares e tínhamos o centro POP".
São Leopoldo passou a ser administrada, a partir de 1° de janeiro, pelo delegado Heliomar Franco, que se descreve em uma das redes sociais como "Prefeito de São Leopoldo, PL - Partido do Bolsonaro" (aqui).

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