A declaração de guerra de Trump

Por Fábio Bernardo (*) e Marcel Frison (**)

Brasileiros deportados dos EUA desembarcando em Manaus no dia 24/1 

Os primeiros brasileiros deportados pelo governo Trump chegaram em Manaus com as mãos algemadas e os pés acorrentados, faltaram apenas macacões laranjas, típicos das prisões de segurança máxima. 

É claro, a medida era necessária porque tais “bandidos” poderiam tomar o avião e tentar posar nos EUA novamente ou, quem sabe, atacar a tripulação e como “selvagens” devorarem a carne (em rituais canibalísticos) dos “heróis norte-americanos” que cumpriam esta missão patriótica. 

Sarcasmos à parte, qual foi o crime destes brasileiros? Nada além de acreditar em Hollywood e na promessa do “american dream”, ou seja, na ilusão de que se você trabalhar duro na “nação das oportunidades” e a prosperidade estará garantida. 

Não sabemos as histórias individuais destes cidadãos e cidadãs, mas o roteiro é previsível, entraram nos EUA como turistas, depois de cumprirem a “via crucis” para alcançar o visto, não voltaram no prazo previsto e passaram a viver de maneira irregular nos EUA. Trabalharam lavando pratos nos restaurantes, carregando caixas em transportadoras, como serventes em obras, limpando chãos em hospitais nas madrugadas, enfim, naquilo que os norte-americanos não querem trabalhar. 

Trabalharam pelo cheque no final da semana (sempre menor do que ganham os norte-americanos), cumprindo jornadas de trabalho exaustivas em dois ou três empregos, sem direitos trabalhistas, sem direito a nada. Vivendo com medo, se escondendo, uma vez doentes, impossibilitados de buscarem atendimento, mesmo pagando. Nos EUA você morre sem atendimento médico se não tiver dinheiro.  

Estes empregos, para nós, são dignos, para eles não. Mas todos nós sabemos que limpando o chão ninguém chegará a ser um Musk ou um Zuckerberg. O “american dream” é uma farsa ideológica que sustenta a sociedade brutalmente desigual da maior (por enquanto) economia do mundo. 

Mas as elites norte-americanas adoram disseminar este “sonho americano” pelos quatro cantos da terra como afirmação da sua “democracia” e da sua “superioridade” como nação. São, portanto, os principais responsáveis por essa utopia irracional que leva milhões a tentarem a vida naquele país. 

Aliás, o subdesenvolvimento da América Latina, inclusive, do Brasil, que impede uma vida mais digna para os nossos povos (e impulsiona os imigrantes), tem como razão principal a expropriação das nossas riquezas, primeiro pelos europeus e posteriormente pelos EUA, algo que Trump quer aprofundar com toda a potência possível. 

Os brasileiros e as brasileiras que chegaram submetidos a ferros no Brasil são uma declaração de guerra de Trump ao nosso povo. Uma mensagem, muito clara, que nos considera seres inferiores, desprezíveis e passíveis de sofrerem as piores humilhações. 

A reciprocidade é um dever! 

(*) Fábio Bernardo é vereador PT São Leopoldo/RS

(**) Marcel Frison é chefe de Gabinete

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